quinta-feira, 21 de maio de 2009

"OS IDIOTAS DE CRISTO"

Antônio Pereira da Costa Júnior

Ainda me lembro do tempo em que ser chamado de pastor era sinônimo de respeito e consideração. Hoje, nem tanto. Ter o título de pastor, em muitas ocasiões, virou sinônimo de vergonha pela má conduta de alguns que possuem o título. Outros até rejeitam serem chamados de pastor, não dá mais aquele impacto na televisão. É preciso algo mais...

Outros dizem até que foram chamados para uma classe especial de ungidos, diferentemente dos outros colegas de ministério. Contudo, creio que Deus escolhe os mais improváveis e indignos para serem pastores. Os incapacitados de si mesmo para serem capacitados por Ele. Lembra de Davi? De Moisés? Deus ama usar aqueles que são considerados despreparados.

Deus não está atrás, necessariamente, de pessoas de boa aparência, ou de boa oratória, ou aquele que tem muito dinheiro, ou o que tem muitos talentos, pelo contrário: “não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”. Tudo isso para que “ninguém se vanglorie na presença de Deus” 1Co 1.26-29.

Hoje em dia ser pastor já não dá muito status. Alguns já nem querem mais esse título, preferem algo maior, grandioso, que chame mais a atenção. Que traga holofotes sobre si. Que impressionem os crentes atenienses deste século ávidos por novidades. Alguns se intitulam de apóstolo, iluminado, ungido com uma unção especial, paipóstolo – porque apóstolo já ta ficando sem graça. O que virá depois: pascanjo (uma mistura de pastor e arcanjo); apostobin (uma mistura de apóstolo e querubim)?

Não é isso que aprendemos dos verdadeiros servos de Deus. Lutero, por exemplo, se referia a si próprio como um “saco de verme”. Humildade é uma palavra pouco praticada na vida de alguns. Sundar Singh, o chamado apóstolo dos pés sangrentos – aliás, muito diferente dos chamados apóstolo hoje – contou certa vez uma história:

Um lixeiro converteu-se ao Cristianismo. Quando entregou a Cristo o coração, encontrou paz e sentiu-se salvo; tornou-se testemunha de seu Salvador. Quem o ouvia, comentava: "Este homem possui algo que ainda não temos". Quando pregava, prestavam-lhe a maior atenção possível. Um transeunte, certa vez, perguntou: "Por que ouvem com tanto respeito um lixeiro?" Ele mesmo respondeu: "Quando meu Salvador ia para Jerusalém montado num jumento, o povo trouxe capas e as colocou sob seus pés. Não sob os pés de Cristo, mas sob as patas do jumento. Por que fazer isso a um animal? É que nele vinha montado o Rei dos reis. Desde o momento em que Cristo o deixou, ninguém nunca mais pensou nele: Foi honrado somente enquanto Cristo o cavalgou”.

Em Atos 4.13 diz o seguinte: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. A palavra grega para “incultos” é “idiotes” que significa “sem instrução”. Ela é a origem da palavra “idiota”. Percebe? Pedro e João foram chamados de idiotas. Mas o que importava não era o título, aqueles homens haviam estado com Jesus e foi isso que fez a diferença na vida deles.
Você foi chamado de idiota ou coisa parecida? O que fazer? Passe tempo com Jesus, aos seus pés, recebendo as instruções para a vida eterna e ele transformará tua alma e tua vida para sempre. Não busque títulos pomposos pra tua vida, queira apenas estar com Jesus, no fim das contas “pouco é necessário ou mesmo uma só coisa” Lc 10.42, escolha, pois a melhor parte.

Não importa quão pequenino você pareça ser, o importante é o Cristo gigantesco que você leva dentro de si, na tua vida, na tua família e na tua igreja. Mesmo que alguém diga que você é um idiota, não reclame, chamaram assim também com Pedro. “Idiota de Cristo”, eis um título interessante que os pregadores de hoje não querem ter.

E POR FALAR EM JUMENTO:

Conta-se que certa vez um pastor local, muito orgulhoso e cheio de si, ouviu dizer que um grande pregador estava visitando sua cidade, logo se aprontou e foi visitá-lo. Chegando lá, começou a dizer:
– amado pastor fulano de tal, eu sou um dos pastores dessa cidade, mas não um pastor qualquer, eu sou o melhor pastor da região. Olha, eu diria que eu, aqui, sou muito importante. Todos me bajulam, até mesmo as autoridades locais. E creio que Deus precisa muito de mim na sua obra. Eu conheço o hebraico e o grego fluentemente; sei de passagens bíblicas decoradas; tenho vários títulos teológicos; prego como ninguém aqui na redondeza; tenho a maior igreja da cidade, enfim, como disse: Deus precisa muito de mim.

O famoso pastor só fazia escutá-lo com a paciência de Jó. Daí, após refletir nas palavras do arrogante pastor, disse com a sabedoria que só os anos de ministério podem dar:
– sabe filho, a única vez que Jesus disse que precisava de alguém, esse alguém foi um jumento (Mc 11.2-3).

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

Um comentário:

Hilan disse...
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